11.6.07

Segunda, 09 de Julho de 2007, às 21h45

Resíduos - A matéria-prima do futuro

Professora Doutora Rosário Oliveira
Professora Catedrática da Universidade do Minho e Directora do Departamento de Engenharia Biológica

Assegurar um desenvolvimento sustentado depende de muitos factores, dos quais se podem salientar a racionalização do consumo de combustíveis fósseis e uma gestão integrada dos resíduos.

O aumento mais do que exponencial da população mundial e os hábitos de consumo dos países mais desenvolvidos geraram um dos grandes problemas da actualidade, que se traduz na produção mundial de mais de 4 milhões de toneladas de resíduos urbanos e industriais por dia. É premente desenvolver medidas de prevenção para reduzir tal quantitativo, quer pelos problemas de poluição que lhe estão associados como pela depleção de recursos naturais que lhe está subjacente. No entanto, por muito eficientes que sejam as medidas preventivas nunca se poderá evitar a formação de resíduos, pelo que terão que ser adoptadas medidas para a sua valorização. Reutilizá-los com um mínimo de processamento será a segunda medida ideal, que não é fácil de aplicar à maior parte dos resíduos.

Os processos de valorização mais fáceis de pôr em prática são a recuperação dos materiais para produzir novos bens de consumo (Reciclagem), ou a produção de energia através de digestão anaeróbia (biometanização) ou por degradação térmica. Neste contexto, uma gestão integrada de resíduos deve ser feita respeitando uma hierarquia de actividades: Prevenção, Reutilização, Reclicagem, Valorização Energética e por último Deposição em Aterro.

Hoje é conhecida a possibilidade de se reciclarem muitos materiais e a separação dos mesmos, para a sua recolha selectiva, é um acto de civismo em que todos têm que estar envolvidos.

Para a população em geral, a capacidade mais oculta dos resíduos é o seu potencial energético, que não é só traduzido pela recuperação de energia por incineração.

A digestão anaeróbia de resíduos sólidos, processo que data do início da década de 90, começa a ser implementada em vários países da UE, permitindo a produção de elevados quantitativos de biogás, cuja composição é semelhante à do gás natural. As lamas resultantes do processo são estabilizadas aerobiamente e usadas como corrector de solos. Este processo é considerado uma forma de Reciclagem de resíduos orgânicos.

A obtenção de gases combustíveis constitui uma forma mais versátil de energia do que a produção de energia eléctrica conseguida pela incineração. Os combustíveis gasosos podem ser distribuídos ao domicílio, podem accionar veículos e ser usados na produção de energia eléctrica. Dada a especificidade de certos tipos de resíduos, todos os processos de valorização energética poderão ter um papel importante, o que será necessário é implementar a correcta gestão integrada dos mesmos.

Para assegurarmos o futuro impõe-se que vivamos mais dos rendimentos da natureza do que do seu capital e os resíduos terão que ser considerados como um recurso potencial gerador de mais valias.

Nunca mais lhes chamem lixo!

Café Scientifique Braga


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