24.10.07

Quarta-Feira, 05 de Dezembro de 2007

A Divulgação Científica


Professora Doutora Raquel Gonçalves-Maia
Professora Catedrática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa


Prometeu roubou o fogo da forja de Hefesto e entregou-o aos homens. Prometeu é o Édipo da vida intelectual. O “Complexo de Prometeu”, disse-nos Gaston Bachelard, é a “vontade humana para a intelectualidade”. Os literatos são intelectuais, todos o sabemos. Sê-lo-ão também os cientistas? Serão uns e outros protagonistas de uma só cultura, ou teremos de considerar que existem duas ou mesmo três? C.P. Snow, os “intelectuais” de John Brockman e os “Pensamentos Secretos” de David Lodge ajudam-nos nas respostas.
Talvez domine a insciência, a falta de referência humana, de testemunho histórico; ou uma concepção errada da natureza da ciência, por deficiente ensino e divulgação. É difícil comunicar ciência, tanto mais quanto mais esta utiliza uma pesada simbologia.
A comunicação feita por imagem emparelhada com oralidade tem adesão imediata em quem vê e ouve. Tem sentimento, intuição e consciência; e, em geral, pouco rigor e pouco conteúdo. Em ciência, a memória visual e auditiva é preciosa, mas insuficiente. A internet, por seu lado, é inestimável, mas, sem aviso, infinita. O papel do livro é transmitir a interioridade que garante a interpretação e o discernimento que qualquer tema científico exige; em discurso escorreito.

Café Scientifique Braga

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